Injeção Roncoplástica

 
 
 
 
 
 
 
 

O tratamento de indivíduos portadores de ronco primário e síndrome da apnéia obstrutiva do sono (SAOS) continua sendo um desafio, pois há várias opções terapêuticas e os resultados são muito variáveis. O sucesso de cada tratamento depende muito da escolha adequada e individualizada para cada paciente.


A vibração do palato mole, aquela região da garganta próxima à úvula (campainha), parece ser um dos principais fatores envolvidos na gênese do ronco. Durante o sono, pode haver um colapso da via aérea superior nesta região palatal, causando distúrbios respiratórios, tais como apnéias e hipopnéias. Deste modo, existem vários tratamentos direcionados à região do palato mole: radiofreqüência, implantes palatais, uvulopalatoplastias, dentre outros.


A injeção de substâncias esclerosantes no palato mole surgiu como uma promissora opção para alguns casos selecionados de ronco e SAOS leve, ampliando as possibilidades terapêuticas. Há alguns anos, tive a idéia de desenvolver a injeção para o tratamento do ronco aqui no Brasil, após analisar estudos de Brietzke e Mair. Me interessei em pesquisar este tipo de tratamento por ser uma alternativa tecnicamente simples e de baixo custo. Desde 2006 está em andamento um protocolo de pesquisa no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, a qual constitui minha Tese de Doutorado. Possivelmente os resultados finais deste estudo serão publicados em 2009.


Nesta pesquisa o estamos comparando dois tipos de substância para a injeção: o Oleato de Monoetanolamina e o Etanol. Os pacientes recebem as injeções ambulatorialmente, ou seja, não precisam ficar internados. Em cada sessão o medicamento é injetado em 3 pontos do palato mole, após anestesia do local com spray. Os pacientes recebem de 1 a 3 sessões, com intervalo de pelo menos 1 mês. O material utilizado pode ser visto na Figura abaixo.

injecao ronco plastica material

Após um período de cicatrização que dura algumas semanas, ocorre uma fibrose (endurecimento e retração) na região do palato mole, diminuindo a vibração deste local durante o sono, que se traduz em uma diminuição do ronco.


Até o momento aproximadamente 85% dos pacientes relataram desaparecimento ou melhora importante do ronco. Estamos muito animados com os resultados parciais, porém interpretamos tudo com bastante rigor:  Antes e depois do tratamento todos os pacientes são submetidos a questionários e exames específicos, como Polissonografia e Ressonância Magnética.


Assim como outros procedimentos, a Injeção Roncoplástica não está isenta de complicações. Dentre as principais complicações locais, podemos citar: dor, edema e ulceração (afta) no local de aplicação. Complicações mais graves, felizmente, são raras.


Este ano publicamos um artigo científico propondo o termo Injeção Roncoplástica para designar este novo tratamento. Entretanto, é importante salientar que esta terapia ainda se encontra em fase experimental e não se aplica para todos os casos de ronco e apnéia. Somente após uma consulta, exame das vias aéreas superiores e da polissonografia, o médico poderá decidir a melhor opção terapêutica para cada paciente.

Nas aulas sobre Injeção Roncoplástica que apresento em Congressos, costumo citar Arthur Schopenhauer - “Toda verdade passa por três fases: Primeiro, ela é ridicularizada; Depois, ela é fortemente contrariada; Por último, ela é aceita como evidente”. Acredito que a Injeção Roncoplástica já se encontra bem próxima desta última fase.

 Dr. Fábio Tadeu Moura Lorenzetti

www.drfabiolorenzetti.com.br

CRM 95864

Novembro/2008
Residência Médica em Otorrinolaringologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP)
Estágio de Complementação Especializada em Otorrinolaringologia pelo Hospital das Clínicas-FMUSP
Título de Especialista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial
Título de Medicina do Sono pela Associação Brasileira de Sono / SBSono
Observership - Advanced Center for Specialty Care (Chicago-USA)
Observership - Medical College of Wisconsin (Milwaukee-USA)
Observership – Stanford University (Palo Alto-USA)
Pós-Graduando (Nível Doutorado) no HC-FMUSP

Agradecimento: A todos os médicos, funcionários e pacientes do Hospital das Clínicas que me ajudaram nesta pesquisa, sobretudo aos Dr. Michel Cahali e Dr.Gilberto Formigoni, que me apoiaram desde o início.

Bibliografia:

Brietzke SE, Mair EA. Injection snoreplasty: how to treat snoring without all the pain and expense. Otolaryngol Head Neck Surg 2001; 124(5):503-10.

Brietzke SE, Mair EA. Injection snoreplasty: extended follow-up and new objective data. Otolaryngol Head Neck Surg 2003; 128(5):605-15.

Brietzke SE, Mair EA. Injection snoreplasty: investigation of alternative sclerotherapy agents. Otolaryngol Head Neck Surg 2004; 130(1):47-57.

Lorenzetti FTM, Formigoni GGS, Cahali, MB. Uma nova proposta de nomenclatura: “Injeção Roncoplástica”. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia 2008; 74 (3): 327.

 

Injeção Roncoplástica